terça-feira, 23 de novembro de 2010

IV FLIS -PROGRAMAÇÃO OFICIAL


CIRCUITO DE FESTIVAIS LITERÁRIOS DE SERTÃNIA 2010


I FLIC
-Festival de Literatura de Cordel-

- Homenagem a Genival Pereira ( Gato Novo)
Poeta Cordelista e Cantador de viola, em seus 60 anos de idade

Tributo In memorian
Gato Velho ( 20 anos de Morte)
Manoel Soares

EMEL
( Escola Municipal Etelvino Lins)
Sertânia-PE

Dia 23/11/2010

Manhã

A partir das 9 horas

- Barraca do cordel- Feira de folhetos de Gato Novo, Luiz Wilson e outros autores sertanienses e clássicos ( 3ª série).
- Leitura cordelizada ( declamação e desfile) com o folheto “o Retrato do Sertão”- de Gato Novo( 4ª série “A”).
-Jogral com o cordel “ A folhinha Alagoana para o ano de 2000” de Manoel Soares.
(5ª série “A”)..
-Maquete com Recital baseada no folheto “O torcedor marginal mantém torcida afastada” de Alberto Oliveira ( 6ª série “A”).

Apresentação do cordelista Genival Pereira ( Gato Novo).


Tarde
A partir das 14:00 horas

-Feira de cordel ( 4ª série “b”.)
-Jogral sobre o cordel “ Não tenho Medo de nada”- de Zito Jr ( 7ª série)
-Jogral com o cordel “ A folhinha Alagoana para o ano de 2000” de Manoel Soares.
(5ª série “B”).
-Dramatização baseada no cordel “Exemplo da moça que dançou carnaval no inferno para zombar de Frei Damião” de Manoel Soares.
- Homenagem a Gato Novo- apresentação do homenageado.
- Encenação do folheto “Desafio de João do Ouro e Gato Novo”.
- Projeto Cordelteca intinerante., dos professores Luiz Pinheiro e João Lúcio( diretores da ACORDES- Associação Cultural de Sertânia)
- Recital do poeta e Cordelista Josessandro Andrade- homenagem a Luiz Camarão(ex- funcionário da escola)
III FLIS Infantil


EPJM -Escola Professor Jorge de Meneses

Sertânia-PE


Programação

Dia 24 de novembro de 2010
A partir das 8:00 horas

• Homenagem a escritora de literatura infantil Vanuza Silva(ex-aluna da Escola Professor Jorge de Meneses) e ao professor Josessandro Andrade
• Dramatizações
• Recitais
• “Encenações das peças teatrais “Os Três Porquinhos” e “ A Formiguinha e a neve”


IV FLIS- Festival Literário do Sertão

“De Saramago a Ulysses Lins:
Nobel de Fato e de direito ”

Escola de Referência em Ensino Médio Olavo Bilac - EREMOB
Sertânia-PE

PROGRAMAÇÃO


DIA 25/11/2010 (Quinta-feira)

Manhã

8:00- Abertura oficial com Equipe Gestora

8:30-Salas temáticas
*Ulysses : diálogos.
(Poesia, imagens, fazer poético,oficinas)
- Coordenação dos professores Gilberto Farias ( Gyba), Paulo Neves e Michele Rocha.
* Ulysses : Réplica e Impressões : A fazenda Conceição, o lugar e o espaço na obra do poeta.
Coordenação dos professores: Edivanildo Nunes, Gustavo Veras e Paulo Eduardo.

9:30-Momento musical com Hipe Sanfoneiro.
10:00-Vídeo : “Bendita sois, Voz”. Documentário de Wilson Freire.
10:50- Encenação do cordel “ A Peleja do Rio São Francisco contra o Monstro da
destruição”. (texto de Wilson Freire). Coordenação: Prof. Gustavo Veras.
11: 30 - Teatro estudantil – Uma peça teatral de Ednerly ( aluna 2º “A”- EREMOB) - Coordenação da professora Michele Rocha.


Tarde

13:30- Momento Musical com Zé Luiz
14: 00- Conversa com o autor – Entrevista a Marcos Cordeiro ( poeta, artista plástico, Contista, autor teatral)
15:00- Vídeo “ Reminiscências em prosa e verso” – Documentário sobre o poeta
Rogaciano Leite. Direção de Tacianna Lopes ( Rádio Sertânia FM).
15:40- Música Instrumental: “Rabecal Moxotesco ” com Antônio Amaral e sua rabeca.
16:10- Texto do poeta Luiz Carlos Monteiro- leitura de um aluno do 1º “D”.
16:20- Roda de Poesia com os membros da SAPECAS- Sociedade dos Poetas,
Escritores, Compositores e Artistas de Sertânia

Local: Auditório Waldemar Cordeiro

Noite

19:30- Bate-papo com o Escritor e produtor cultural Alberto Oliveira, sobre o tema
“Desatando o nó da cultura”. pùblico alvo: artistas, fazedores de
cultura,jovens e o público em geral
20:00-SAPECADA –Poesia, prosa e música com os membros da SAPECAS- Sociedade
dos Poetas,Escritores, Compositores e Artistas de Sertãnia.
Local: Casa do Poeta ( Na Rua das Tabocas)

DIA: 26/11/2010 - Sexta-feira

Manhã


8:00 -Momento musical com Gilberto Farias (Gyba)
8:30-Conversa com o autor – Entrevista ao poeta e compositor Alberto Oliveira
9:00- Tributo ao poeta e escritor Ulysses Lins- toada com o Aboiador Luiz Freire
e cordel com Genival Pereira (Gato Novo)..
9:30- Mesa redonda sobre a obra de Ulysses Lins em prosa e verso: com Marcos
Cordeiro ( membro da Academia Recifense de Letras), João Henrique Lúcio
( Professor com especializações em História e sociologia, representante da
ACORDES – Associação Cultural de Sertânia), Luiz Pinheiro Filho( Professor,
Poeta e escritor de tradição oral, representante da SAPECAS- - Sociedade
dos Poetas,Escritores, Compositores e Artistas de Sertânia, Therezinha Lins
( Escritora, professora universitária, Psicóloga e idealizadora do Prêmio Ulysses Lins), Antônia krapp ( Escritora e Professora Universitária , autora de “Pães, Histórias e afetos”), Josessandro Andrade( Professor com especialização na obra poética de Ulysses Lins., coordenada pelo professor Gilberto Farias
10:00- Encenação do monólogo “ Anjo de Espinho”( texto de Ulysses Lins , adaptado
por Zito Jr.)
10:30- Leitura de poema em homenagem a Ulysses Lins, pela professora e
coordenadora Sócio- educacional Dora Carvalho.
10:40- Momento Musical com Antônio Amaral, com o show “Floração”
11:20- Solenidade de divulgação dos resultados e entrega da premiação dos vencedores
Do Prêmio Ulysses Lins.

Tarde


13:30-Lançamento do Livro de Leuces Xavier

14:00- Recital do poeta Dedé Monteiro ( Tabira-PE).

14:30- Roda de poesia com os poetas do jornal de Poesia “Cabeça de Rato”: Álvaro Góis, Zito Jr Josessandro Andrade e Flávio Magalhães .

15:00- Lançamentos:
• Jornal de poesia da EREMOB “Nascer do Poeta”
• Livro de poesia “Meus Poemas”, de Alane Wilma (aluna do 1º “E”- EREMOB).

16:00- III Caminhada Poética de Sertãnia
20:00- BAILE COM III DESFILE DAA MUSAS

terça-feira, 16 de novembro de 2010

FLIC - FESTIVAL DE LITERATURA DE CORDEL SERÁ REALIZADO PELA PRIMEIRA VEZ

Dia 23 de novembro na Escola Municipal Governador Etelvino Lins,em Sertânia estará acontecendo o I FLIC- Festival de Literatura de Cordel, que reunirá professores , alunos, poetas populares e a comunidade para celebrar esta importante manifestação literária da cultura nordestina.
O Evento terá como atividades oficina de rimas,encenações , projetos de leitura, recitais, exposições , entre outras. Como parte da programação estão confirmadas as seguintes atrações convidadas : Genival Pereira ( Gato Novo), cantador repentista e cordelista, homenageado do FLIC ao completar 60 anos de idade, o Projeto CORDELTECA,com os professores João Lúcio e Luiz Pinheiro ( Acordes- Associação Cultural de Sertânia)e o professor e poeta cordelista Josessandro Andrade. O Festival também faz homenagem á memória dos cordelistas Gato velho (20 anos de morte)e Manoel Soares.
o FLIC é mais uma extensão do iv Flis-Festival literário do Sertão(EREMOB- Escola de Referência em Ensino Médio Olavo Bilac) e juntamente com o FLIS infantil (Escola Jorge de Meneses) faz parte do Circuito de Festivais literários de Sertânia.. De acordo com Josessandro Andrade, coordenador do circuito, o FLIC Tem grande importância por ser o Primeiro do gênero que se tem notícia e por ter o folheto de cordel nordestino de autores da terra, como instrumento de incentivo a leitura. " O FLIC vem se somar aos outros dois festivais moostrando que Sertãnia é referência nacional de literatura e leitura, " afirma Josessandro Andrade.

IIII FLIS Infantil homenageará escritora Vanuza Silva





O FLIS -Festival Literário do Sertão, edição infantil ocorrerá no dia 22 de novembro, a partir das 8 horas na Escola Estadual Pofessor Jorge de Meneses, em Sertânia, como extensão do IV FLIS-Festival Literário do Sertão, integrando o circuito de festivais literários de Sertânia.
Entre as atividades previstas estão contação de histórias, encenações, recital de poesia, leituras dramáticas envolvendo os alunos da referida escola. A principal atração do evento é a escritora sertaniniense de literatura infantil Vanuza Silva, radicada no Recife há mais de 20 anos e autora de mais de mais de 10 livros infantis, entre os quais "As Formiguinhas" ( publicado pela editora paulista espaço idea), Mandacaruzinho- Rei do Sertão" (editado pela pernambucana ASNAI editora).Vanuza é a homenageada desta 3ª edição e é ex-aluna da Escola Jorge de Meneses.
Para Josessandro Andrade,vencedor do Prêmio Nacional Viva a leitura 2009
(MEC e Ministério da Cultura), professor da escola e coordenador do Festival o evento possui uma importãncia singular: a de estimular as crianças a ler numa
região tão carente de oportunidades como o sertão , mas de um povo inteligente.
"O nosso IDH é baixo, mas o QI é alto", brinca com o trocadilho das siglas.

FLIS inaugura circuito de festivais literários em Sertânia


Depois de ser vencedor do Prêmio nacional Viva a leitura em 2009, dos ministérios da educação e da cultura, o FLIS- Festival literário do Sertão, será novamente realizado, desta vez em sua quarta edição, no período de 22 a 26 de
Novembro de 2010, Sertânia, município do Sertão do Moxotó- distante 315 km do Recife.
O IV FLIS Ocorrerá na EREMOB-Escola de Referência em Ensino Médio
Olavo Bilac e tendo como tema: “De Saramago a Ulysses Lins- Nobel de fato e de direito”, numa homenagem ao escritor Português José Saramago e ao poeta e memorialista Pernambucano de Sertânia, que ocupou a cadeira nº 1 da Academia Pernambucana de Letras.
Além da EREMOB, O FLIS funcionará em mais duas extensões: o III FLIS
Infantil, que acontecerá na Escola Prof. Jorge de Meneses, consagrado a literatura infantil, que este ano homenageará a escritora Vanuza Silva, ex-aluna daquela instituição escolar e o I FLIC- Festival de Literatura de Cordel- Festival de Literatura de Cordel , que realizará-se na Escola Municipal Etelvino Lins, prestando um tributo ao cordelista e cantador repentista Genival Pereira (Gato Novo), que em outubro passado
Completou 60 anos de uma existência dedicada a poesia popular. Assim, estará se dando a estréia do Circuito de Festivais Literários de Sertânia, que “consolida o nome do município como cidade de poetas e escritores e referência nacional em literatura e leitura”, afirma o professor Josessandro Andrade, coordenador do FLIS.
Uma novidade do IV FLIS deste ano é o Prêmio Ulysses Lins, voltado para a classe estudantil da EREMOB, que ofertará computadores e troféus aos alunos vencedores das categorias resenha e poesia, tendo como tema a obra do referido escritor. Já estão confirmadas como atrações convidadas as presenças dos escritores Marcos Cordeiro( poeta , contista, artista plástico e dramaturgo) Alberto Oliveira( poeta, compositor e editor) Vanusa Silva (escritora de literatura infantil), Zito Jr.( poeta , artista plástico, Cineasta e editor do jornal de Poesia Cabeça de Rato), entre outros. Do Rio de Janeiro virão Teresinha Lins, Psicóloga, escritora e professora Universitária, filha de Ulysses Lins e a escritora e psicóloga capixaba Antônia Crapp, autora de “Pães, histórias e afetos”.
Das atividades da programação constam mesas-redondas, rodas de poesia, saraus,Lançamentos, exibição de vídeos, momentos musicais, caminhada poética, exposições literárias, recitais e desfile de musas O evento é uma parceria entre a EREMOB, Escola Jorge de Meneses e Escola Municpal Etelvino Lins, ACORDES- Associação Cultural de Sertânia. Já estiveram no FLIS Desde literatos pernambucanos como Luiz Carlos Monteiro, paulistas como Eraldo Miranda, até escritores internacionais como o colombiano Carlos Henrique Sierra.
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sábado, 17 de julho de 2010

GALERIA LITERÁRIA

ULYSSES LINS : Um sertanejo na corte de Orfeu e na Academia Pernambucana de Letras
Por; (Marcos Cordeiro)

Foi à sombra de juazeiros e quixabeiras em flor e no alpendre da casa grande da Fazenda Conceição que conheci o homem Ulisses Lins de Albuquerque nas quatro ou cinco vezes que o acompanhei nas suas temporadas anuais naquele aprazível recanto, recamado de canafístulas, do Moxotó pernambucano.

Residente no Rio de Janeiro desde a década de quarenta, quando Deputado à Assembléia Constituinte de 1945, retornava todo ano para a sua querida gleba, onde me confessou certa vez, com o olhar dirigido para a Serra de Jabitacá, um pouco acima dos seus queridos jatobazeiros situados um pouco além do pátio: “Aqui é que realmente reside o meu coração... No Rio de Janeiro só reside a saudade daqui...”
Foi percorrendo as páginas de Fogo e Cinza, Moxoto Brabo, Um sertanejo e o Sertão, Sol Poente, A Noite Vem, Três Ribeiras, Chico Dandin e O Boi de Ouro e outras estórias, que conheci, realmente, o historiador, memorialista, poeta, “contador de estórias” e romancista Ulisses Lins de Albuquerque, amigo e companheiro do meu pai – poeta Waldemar Cordeiro, nas venturas e artes de Orfeu.

Trilhando as inúmeras veredas e caminhos das suas páginas, conheci a história de grande parte do território pernambucano, principalmente as regiões das ribeiras do Moxotó, do Pajeú, do Ipanema e adjacências, inclusive Monteiro na Paraíba. Nelas encontrei a alma dos seus antigos habitantes, de familiares e coronéis, passando por padres, cangaceiros, cantadores, violeiros, professores, soldados e até os mais humildes amigos, vaqueiros, ex-escravos e serviçais. Também conheci e revi antigos moradores de minha Sertânia. Muitos parentes meus estão ali vivos, juntamente com outros habitantes que deixaram nas linhas escritas por Ulisses Lins, momentos das suas histórias, mesmo que modestas, como o meu tio-bisavô Coronel Paulino Raphael da Cruz – grande chefe político do Pajeú, na época da guerra política entre o Conselheiro Rosa e Silva e o General Dantas Barreto, e os tios-avôs Miguel e Luís Aureliano de Sant´Anna ”intelectuais” que transformavam a barbearia do tio Miguel numa academia onde a política, a música e a poesia constituía o principal motivo das tertúlias nas tardes sonolentas de então.

Ali naquela terra sertaneja, onde o tempo só a muito custo passava, muitos dos seus embates políticos, eleições, revoluções (Revolução de 30), tragédias e dramas foram arrolados, com mestria, nas páginas de Ulisses Lins. Outras personalidades ali dormitam à espera que algum leitor os desperte da sonolência literária: O Mestre-de-Campo Pantaleão de Siqueira Barbosa, o padre Cícero Romão Batista de passagem por Alagoa de Baixo, o padre José Romain Colombet, o professor Moreira, o velho Tomás do Maxixe, Sinhozinho Góis, o capitão Severo, os barões de Cimbres e do Pajeú, o Governador Manoel Borba, os cangaceiros Antônio Piutá, Antônio Silvino e Virgulino Ferreira – Lampião, os ex-escravos Bárbara, Filipa, Paulina, Manoel Preto, Albino, entre outros, o coronel Budá (Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti), o coronel Manoel Inácio da Silva Azevedo, o Coronel Joaquim Bezerra da Silva, o Coronel Francisco Lopes, o Coronel Francisco Gomes (Chico Bernardo), o Coronel Joaquim Cavalcanti (Quinca Ingá), o valentão Basílio Quidute de Sousa Ferraz ou Basílio Arquiduque Bispo de Lorena, o poeta Alcides Lopes de Siqueira, seu pai o Coronel Manoel (Né) Lins de Albuquerque, sua mãe Teresa de Siqueira Lins de Albuquerque, Santa ou Carlota de Siqueira, bisavôs, seus tios, entre os quais o tio Dino, morto prematuramente, seus sobrinhos Arcôncio e Carmela, sua amada Rosa e a inefável Inah Lins de Albuquerque.

Nascido na Fazenda Pantaleão em 1889, numa terra onde “os invernos de longe em longe beijam”, o tetraneto do famoso Pica-Exu ou Pantaleão de Siqueira Barbosa, ao contrário do tetravô não foi picado por abelhas “papa-terra”, que habitam colméias nos troncos seculares de velhas baraúnas, aroeiras ou pereiros do Moxotó, mas pelo espírito da Abelha da Piéria, ou seja, a poetisa Safo de Lesbos. Ainda muito cedo, com 10 anos de idade e com os estímulos do seu professor João Neiva em Alagoa de Baixo, Ulisses Lins começou a escrever as suas primeiras “tentativas poéticas” – segundo suas próprias palavras.

Apesar dos conselhos do seu pai Coronel Né: “Você deixe essa mania de fazer versos, meu filho! Quase todo poeta morre doido!” Indiferente a tais conselhos, continuou escrevendo e teve seus primeiros poemas publicados na Gazeta de Pesqueira em 1905.
Certa manhã de clima agradabilíssimo de julho ao retornar de um passeio à “ilha” aonde eu fora sentir de perto o aroma inesquecível da florada de antigas quixabeiras tão suas amigas de infância, quando ali caçava rolinhas e salta-caminhos, encontrei-o sentado numa “preguiçosa” contando sílabas nos dedos. Acostumado a meu pai que também fazia essa contagem ao criar seus poemas, passei discretamente por uma porta lateral na direção da cozinha no intuito de não despertá-lo daquele momento de revelação entre musas, faunos, aedos e deuses da sua Arcádia íntima. À hora do almoço preparado pelas mãos de ouro de Belu que, diga-se de passagem, estava digno de deuses, como convém a um grande vate, ao confirmar para Ulisses Lins minha peregrinação às quixabeiras da ilha, ele entregou-me dois sonetos feitos por ele naquela manhã e exclamou: “Menino, você é um poeta! Você puxou a seu pai!”

Naquele momento não percebi muito bem o significado daquela sentença dita com tanta seriedade... Só anos mais tarde é que, realmente, percebi aquele vaticínio.
“- Você descobriu um dos motivos por que sinto, como uma ave de arribação, tanta necessidade de voltar todo ano à minha terra e às minhas reminiscências...”
Estávamos nesse diálogo quando o seu querido filho Waldemar Lins nos chamou para a mesa, para as delícias da gastronomia sertaneja de Belu.

Desse dia em diante passei a ler todos os livros de Ulisses Lins que me chegavam às mãos. Felizmente papai possuía vários deles e com preciosas dedicatórias. O primeiro que li foi Fogo e Cinza, cujo segundo poema, o soneto “Ao Moxotó” era dedicado a meu pai. Após diversas leituras e diversas interpretações dos capítulos: Sertão Mártir, Hino à Gleba, Alma da Terra, Estrada de Espinhos, Livro de Inah, passei para a grande viagem na “trilogia” dos “Cem anos de Solidão” do Moxotó, ou seja: Um sertanejo e o sertâo, Moxotó brabo e Três ribeiras. Para mim, fora mais do que um “curso de história da terra e do homem sertanejo das ribeiras pernambucanas do Moxotó, Pajeú e Ipanema”, lugares onde o poeta sertaniense traçou a geografia da sua literatura.

Nos poemas de Fogo e Cinza, habitam, cantam, gemem, murmuram e suspiram, além do coração do poeta, galos-de-campina, juritis, rolinhas, bem-te-vis, seriemas e todo um coro de vozes em louvor da terra e da alma pernambucana.Senhor de régua, compasso e aguda sensibilidade no seu ofício de escritor nascido e criado ouvindo cantadores e violeiros no alpendre do Pantaleão e nas feiras livres de Alagoa de Baixo, Ulisses Lins cultivou diversas formas fixas da arte da poesia. De sua pena saíram sonetos (veja-se O livro de Inah), quadras, quadrões, sextilhas, tercetos, decassílabos e alexandrinos, entre outras formas consagradas pela maioria dos poetas. De formação acadêmica simbolista e parnasiana, como a maioria dos poetas da sua época, logo se filiou a uma estética própria, cuja prosódia e sintaxe se encontravam no falar e pensar do “homem do nordeste”, porém livre de qualquer traço caricatural tão comum à maioria dos poetas ditos “matutos”. Apesar de sua origem sertaneja, sua poesia é erudita e mesmo refletindo um profundo traço telúrico e familiar, alcança a reflexão e emoção da poética universal.

Sobre a obra de Ulisses Lins muitos escritores e críticos deram os depoimentos que enriquecem sobremaneira a sua fortuna crítica. Entre eles podemos citar: Luís Jardim, Adonias Filho, Eneida, Samuel Duarte, José Condé, Geraldo de Freitas, Franklin de Sales, J.C.Oliveira Torres, Alcântara Silveira, Manuel Diegues Junior, Aloysio da Carvalho Filho, Mauro Mota, Sérgio Millet, Múcio Leão, Joaquim Pimenta, Edna Savaget, Francisco de Assis Barbosa, Odilon Nestor, Paulo Ronai, Mário Melo, Menotti Del Picchia, Esdras Farias, Antônio Carlos Vilaça e José Américo de Almeida, entre outros.

Decorridos tantos anos após a publicação do seu último livro em vida – O Boi de Ouro e outras Estórias, em 1975 pela Editora Cátedra do Rio de Janeiro, muitos estudantes, historiadores, mestrandos e doutorandos se debruçam sobre a sua obra em busca de roteiros e luzes para elaboração de suas teses de mestrados e doutorados.
Eleito em 1938 para a Academia Pernambucana de Letras, o sertaniense Ulisses Lins de Albuquerque ocupou a Cadeira nº 1, cujo patrono é Bento Teixeira Pinto. Antes de Ulisses Lins a Cadeira nº 1 foi ocupada por Barbosa Viana em 1901 e Zeferino Galvão em 1920. O atual ocupante da cadeira nº 1 é o escritor olindense Olímpio Bonald Neto.

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*Marcos Flávio Gomes Raphael Cordeiro, filho do poeta Waldemar Cordeiro e de D. Iracy Gomes Raphael,Pernambucano de Sertãnia, Republicano, Confederado do Equador,formado em Odontologia e zootecnia, Estudante, Poeta,Artista Plástico, dramaturgo com premiações em concursosliterários e em salões de arte Artesão e enamorado da vida e dos seus mistérios.

DEBATE CULTURAL

AS CIDADES E A CULTURA

Luiz Carlos Monteiro

É um fato consumado que as capitais brasileiras se movimentam com grande avidez cultural, nos campos extensivos da arte e da literatura, nestes inícios do século 21. Ninguém pode negar que, em cada uma delas, há a insurgência de um surto cultural que jamais se revela em mero continuísmo de outras décadas e gerações, em espúria macaqueação de outras regiões e países. Mas somente quem pode absorver o melhor de gerações anteriores, saberá os rumos a tomar quanto à sua própria geração. Porque os artistas, intelectuais e escritores buscam caminhos que, se não trazem nada de extraordinário no campo da inovação e da inventividade, não se caracterizam apenas pela repetição e esvaziamento. No meio destes encontros, aparições e performances organizadas ou caóticas, há que separar a palha verde do milho, o manguito mofado e travoso da manga-rosa saudável e restauradora.

Em várias manifestações artísticas e culturais existe gente se destacando. Não será preciso alinhar Brasil afora tantos nomes das artes plásticas, dança, cinema, teatro, música, literatura. Todos os dias aparecem caras novas em jornais de grande circulação. Contudo, o hábito de ler jornal diariamente está cada vez mais perdendo espaço para uma visada rápida nas manchetes, para a leitura superficial e sem compromisso de um ou outro artigo. Está se tornando uma prática maciça acompanhar o que acontece localmente ou no planeta pela Internet. Gente de empresas privadas e públicas produzindo eventos de grande, média ou pequena dimensão, blogs e sites que proliferam geometricamente, mídias mais atuais e em voga que se popularizam do dia para a noite. O acesso do mundo se faz ao alcance da mão, desde as teclas de um desktop ou de um notebook. A característica geral e em vias de uniformização dos seres humanos do pós-moderno traz de volta o individualismo e a exclusividade dos ambientes virtuais em casa, no lazer, no trabalho, na escola, em todas as extensões setorizadas da vida social.

Rasgos da cultura rural convivendo com o mais ferrenho urbanismo, com espaço para todos que quiserem trabalhar e ousar. Forrozeiros, declamadores e violeiros bem aceitos por plateias ecléticas, abrangendo desde o pesquisador universitário dos núcleos acadêmicos fechados, passando pelo funcionário público sacramentado, pelos empreendedores de opções financistas menos ambiciosas, até chegar aos jovens iconoclastas em formação. No Recife há um pessoal tão ousado que faz de toda a cultura uma festa só. São escoceses deslocados em suas saias tropicais, meninas sem senso de humor de longos coturnos e cabelos curtíssimos. Os maduros, idosos e senhoras longevas abrigam-se em academias e sociedades culturais, sem perder o vigor e a alegria de continuar burguesamente produzindo, expondo e publicando.

Neste torvelinho de vaidades em escala estática e sem ascensão visível, uma interrogação saltita no ar, pois ela deseja encontrar o artista: o poeta, o ficcionista, o pintor, o ensaísta, o cineasta, o fotógrafo. O poeta que não acumule versos no papel ou na tela simplesmente, desarrazoado e sem o senso secreto do ritmo. O ficcionista que, dentro de seu remover-se ocidental e cósmico, mostre a que veio, e se poderá ser partilhado por tantas pessoas que a vista não alcance. O pintor que não saiba apenas misturar cores e tintas, e sim transformá-las em objetos de desejo, prazer e conhecimento. O ensaísta que, na ambiência de sua especialização, mostre-se desabrido e aberto às múltiplas manifestações da arte e da cultura. O cineasta e o fotógrafo que vejam mais do que a realidade chã logra propiciar, libertos dos naturalismos e impressionismos que teimam em espetacularmente ressuscitar.

Um objeto para se brincar como outro qualquer, e de preferência, para aqueles amigos mais à frente do tempo, é a crítica cultural multifacetada em crítica sorriso, crítica coluna social, crítica acrítica. A matriz larga e cilíndrica da crítica se transforma em coisa tênue, barato, curtição para estes simulacros de analistas da própria sombra e do umbigo alheio. Abastecem e confortam uns poucos egos, a retirar de suas pretensas obras e trabalhos vistos de passagem, um salto qualitativo que tais supostas obras não comportam nem podem gerar.

É impossível negar, entretanto, ainda quando se espalham vertiginosamente tribos, confrarias e guetos, que as grandes cidades não cochilam quando se trata de cultura. A maioria dos agentes culturais não tem votos, a não ser o próprio, embora quando unidos interfiram nos orçamentos disponíveis. Posam às vezes de lideranças políticas e sujeitos politizados, cuja popularidade não resiste à primeira sabatina, enquete ou provocação pública. É preciso reconhecer que, nos cargos culturais onde corre dinheiro, não está descartado um político profissional comandando em surdina. Verbas vs. votos. E vice-versa. É o braço amigo quem aprova projetos, oficinas, shows, publicações. Que é o mesmo braço inimigo e desconhecedor da cultura, a promover nulidades. Ninguém pode mais do que estes braços todos comprimidos e juntos em torno dos fogos ambíguos e utilitários.

Não basta somente liberar verbas para pessoas ou entidades. Tem de haver algo mais que atinja a população carente de acertos básicos. Com trabalhos pontuais que precisam do mínimo de dinheiro público. Eventos que à vezes se tornam mais importantes para uma cidade do que as costumeiras apresentações diversificadas em festivais, shows, oficinas, congressos, palestras. Um trabalho subterrâneo e sem alarde midiático, de poesia, fala e teatro popular, a exemplo do de Ariano Suassuna. Composto de aulas que param e mobilizam as numerosas cidades aonde chegam, mesmo sendo a divulgação restrita. Os resultados mostram-se avassaladores, pois exibem momentos e funções populares de alegria autêntica, conscientização artística e interação criativa.

Quando se coloca um político profissional num cargo de gestão cultural, o desastre é certo e esperado. Ele vai levar consigo amigos, correligionários e gente auto-indicada ou indicada por pessoas de suas relações. Daí ao nepotismo disfarçado em obscuras genealogias ramificadas e à ausência de estratégias e ações é um passo. Se o gestor, de outra parte, é um fazedor de cultura, poderá ter bom trânsito entre fazedores de cultura, mas, quase sempre, se mostrará sofrível administrador e político. Um terceiro caso é o do gestor que é apenas técnico na área envolvida, que poderá ser bom administrador, contudo não gozará de transitação política nem entre quem produz cultura.

Para o mandatário de um Estado ou de uma cidade, esta é uma equação difícil de ser resolvida. No seu íntimo, preferiam talvez nomear alguém da política, por motivos e injunções óbvias. Podem ceder à tentação de indicar um nome proposto em amizade. Ou pela mera competência técnica. O desejável seria, para os cargos da cultura, nomes que aliassem, além de compromisso cultural já comprovado, as três condições referidas: a política, a técnica e a cultural. Algo espinhoso de se encontrar nos dias de hoje, pois todo mundo tem a necessidade de especializar-se em alguma área ou matéria, como consequência dos avanços da globalização e da competitividade.

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* Filho de Expedito Monteiro(Nô)e da professora do Olvo Bilac D. Cicera Rodrigues(que mora em frente ao D.E.R) eis Luiz Carlos Monteiro, Pernambucano de Sertânia, cidade do Sertão do Moxotó, estou radicado no Recife desde 1972. Não pude me esquivar à condição e ao destino de ser poeta, por isso persisto ainda em escrever poesia. Como derivações da atividade poética, faço crítica literária e atuo também na área da ensaística. Formado em Pedagogia e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE. Publiquei os livros de poesia Na solidão do neon (Pirata, 1983), Vigílias (Fundarpe, 1990), Poemas (Ed. Universitária da UFPE, 1999), O impossível dizer e outros poemas (Bagaço, 2005) e de ensaios Para ler Maximiano Campos (Bagaço, 2008) e Musa fragmentada - a poética de Carlos Pena Filho (Ed. Universitária da UFPE, 2009). Organizei, em colaboração com Antônio Campos, o livro de contos do Prêmio Maximiano Campos nas versões 2, 3 e 4 (IMC/Bagaço, 2008). Tenho poemas publicados em antologias diversas, além de artigos e resenhas espalhados em sites, jornais e revistas de Pernambuco e de outros estados.(texto adaptado livremente por Josessandro Andrade).

Mestres da Poesia

Este espaço vai se destinar a abordar a vida e a obra dos mestres da peosia do Sertão do Moxotó : Ulysses Lins- o Trovador do Moxotó , Waldemar Cordeiro- O gênio do Lirismo,e Alcides Lopes de Siqueira- o Menestrel do SertãO. Eles são certamente as raízes da terra da poética do grande sertão de mil veredas.
A propósito, escrevi um poema que retrata as peculiaridades dos mesmos, em sextilhas em que busco sintetizar a importãncia dos mesmos para a poesia do Moxotó, misto dde tributo e agradecimento pelo que fizeram e reconhecimento da influu~encia positiva dos mesmo naquilo que aqui se escreve.


MESTRES DO MOXOTÓ



O SERTÃO DO MOXOTÓ
TEM FARTURA EM POESIA
DERRAMA FEIRA DE IMAGENS
ESBORROTANDO A BACIA
COM A FORÇA DE SEU RIO
EM NOITE DE INVERNIA

ULYSSES LINS, O TROVADOR
DAS RAÍZES DESSE CHÃO
NA SECA A ESPERANÇA
DO ESTRONDO DO TROVÃO
QUE PERFUMA A CAATINGA
COM O NÉCTAR DO SERTÃO

MESTRE WALDEMAR CORDEIRO
VATE DE VERSO MACIO
UM BOEMIO EM SERENATAS
POR SIBONEY NOITE A FIO
QUE AO GÊNIO DO LIRISMO
DA PAIXÃO FEZ DESAFIO

ALCIDES LOPES SIQUEIRA
MENESTREL DO SERTÃO
UM CARRO DE BOI CANTANDO
NO SEU EIXO EM COCÃO
É COMO SE REVELASSE
AS COISAS DO CORAÇÃO

NO MOXOTÓ A INFLUÊNCIA
DESTES MESTRES DA POESIA
SEDIMENTA OS ALICERCES
DO ALPENDRE DA MAGIA
EM QUE A CASA DO POETA
ACOLHE AS SUAS CRIAS

O SERTÃO É MINHA PÁTRIA,
MOXOTÓ MINHA RAIZ
UM CELEIRO DE POETAS
NO QUAL EU VIVO FELIZ
SE NUTRO O MEU JUÍZO
COM AQUILO QUE O PEITO DIZ

EIS OS MESTRES DA POESIA
DAS FLORES DAS QUIXABEIRAS
QUE O MOXOTÓ DE DEUS
COM ORIGENS CANGACEIRAS
OFERTA COMO DELEITE
UM POEMA EM CACHOEIRAS